sexta-feira, 14 de agosto de 2009
E com a ponta da mão. Apronta o soco. Não abaixa. Desguia, por via das. Dúvidas. Segue caindo. O soco preso. No páreo do ar. O soco que não foi. Soco. A alma caindo. Embaixo da calma. Da cama. Da sala. O ar a ponto de. Fuga. Fervura. Luxúria. E a puta. Onde está? Desviou do soco. Desguiou. Fugiu. Pagou pra ela. E ela nem chupou. A puta. Puta filha de uma puta. Essa puta. Deixou o ar com cheiro de. Lavanda. Amanda. Era esse o nome da puta. Não se lembra? Quis bater-lhe por ódio e medo. Ou seria por tédio e apego? Não. Era medo. Mas medo de quê? De amar. Gozar. Casar e não trepar. Uma vez puta sempre puta. Não podia dar-lhe casa. Comida. Roupa lavada. Seria corno de toda a putada. Pra toda a vizinhança enxerida. Metida. Fodida. E puta se regalaria. Não seria mais puta. Se tivesse acertado. O soco. O soco que nunca foi. Soco. Ele era coxo. Mambembe. E roto. Ela foi-se. Ele. Mal teve tempo. De preparar-se. Ela lhe havia deixado. Um presente. Uma calcinha usada. Meio litro de uísque. Um pouquinho de raiva. E a coragem. Pro formicida.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
breve ensaio sobre o banheiro do bar
cansada de segurar a bexiga, me levanto percebendo que estou bêbada e vou até o banheiro do bar - sim, eu poderia me olhar no espelho e ficar encostando a ponta do dedo no meu nariz, curtindo a onda dormente da bebida na cara, mas fui direto para a privada, tentando em vão não me sentar naquele nojo, percebo ao tirar a calcinha o fundo branco e limpo, estou seca por dentro, e então pego o celular, ligo para você pela terceira vez hoje e ainda está na caixa postal, maldito.
terça-feira, 9 de junho de 2009
quem você pensa que é?
me chamando de senhor e maldizendo minhas maldades. nunca prometi ser um docinho. a limpeza na minha casa foi por sua conta e risco. sim, encontrei seu grampo. está junto das minhas coleções. esqueci de me dizer que também coleciono insultos. também coleciono mulheres odiosas. insidiosas. furiosas. estou pouco me fodendo pro que as senhoras vão pensar. saindo da igreja com a calcinha molhada de fantasias sacrílegas, se negando a assumir seu beatismo impuro. não me preocupo com opniões alheias. vou aguardar suas duas semanas. se sentir saudades do seu rabo do meu lado, talvez eu te procure. coleciono foras, também. mas, se eu não aguentar essas duas semanas. vou me embebedar novamente, poluir minha casa, novamente. daí te ligo. me auto denomino um idiota. peço perdão. lambo seu chão. me ferro. me fodo. faço o diabo. e se você não voltar. eu não me mato. mas quase.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Será que o senhor reparou no grampo de cabelo que eu abandonei na escrivaninha antes de partir ou o ignorou, odiando o cheiro da limpeza geral que eu dei na sua casa? O senhor não percebia, mas antes da faxina tudo fedia a merda, sujeira, o chão grudento, cigarro. Apagou sem querer a brasa na minha coxa esquerda antes de me dizer mal e maltratar meu esmerado esforço. Ora, no ônibus, eu doía por dentro das facadas do senhor, recebidas com êxtase e regojizo, e cada gemido forte que eu não mentia em esconder. As senhoras em volta no domingo jamais imaginariam meu pútrido fim de semana com o senhor, as três vezes em que assistimos Hannah e sus hermanas e o tanto de porcaria que comemos. O tanto de porcaria que eu comi. O senhor, depois de duas semanas, vai sentir frio e saudades da minha bunda, e das cervejas que tomávamos no calor do bar, abolhado no frio da esquina e das noites nas quais eu o atendia. Ponhamos solidão no seu sobrenome, vamos ver agora quem morde.
bad to the bone
thorogood berra. e um raio leão em brasa atravessa minha cabeça. quando o dinossauro tenta ser justo, ele se ferra. por isso tantos blues. por isso tantos poemas de augusto dos anjos. uma visão obscura sobre a morte. um desejo de incertezas com gosto de mostarda. uma vontade louca de guitarras slide. desejo de solidão.
o dinossauro tem trafegado por vias estranhas. à pé. tem caminhado por horas a fio, segurando a mão dela e dizendo bobagens anônimas. cantando um blues assassino de professor longhair. o dinossauro têm o profundo desejo de poder ser mau. mau mesmo. de bater em mãe. realmente mau. bad to the bone.
ps. o dinossauro não gosta da tecla shift.
terça-feira, 2 de junho de 2009
asco ascéptico
acordei com nojo. limpeza demais me deixa neurótico. minha casa tá cheirando a pinho sol, e eu odeio. hoje me levantei da cama pensando em fugir pra áfrica. botei um disco do Joelho de Porco, e fui cagar. hoje, eu tô cansado pra caralho, meu corpo ainda dói e não tem birita em casa. hoje, agora. eu vou ali, na esquina, pra comprar sssigarrosss.
um dinossauro não têm mais direito à solidão que um homem qualquer. mas HOJE, eu tô muito afim de ficar sozinho. ouvindo sá, rodrix e guarabira. fumando um marlboro. tomando uísque com soda. fazendo air guitar pela casa toda. ainda sentido nojo. e um outro tanto de falta dela.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
dino
antes de mais nada, sou um dinossauro. só penso em círculos de vinil de um milhão de rotações. coleciono farpas, tesouras de hospital e pedaços de animais mortos conservados em formol. outro dia encontrei um cara com um dedo humano dentro de um pote, ele não quis me vender. ia ficar lindo na minha estante.
sou um dinossauro mutante, mas sem asas, infelizmente. não sei porque me auto consagrei um dinossauro. mas é que às vezes sou reptiliano e besta.
o dinossauro que vos escreve gosta muito de música. gosta de livros. gosta de samba, de blues, de roque e de trash metal. o dinossauro não tem ouvidos. o dinossauro está morrendo de dor no corpo porque foi a um show de metal e curtiu pra caralho. e se entupiu de álcool e sssssigarros. sim, com vários ésses assssssobiantesssss. o dinossauro começa a escrever a partir de hoje e só pretende parar quando a morte chegar. ou será um meteoro?
aos convivas pré-históricos. UOOOM!!!!
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